O Segredo do Google Negro e o Milagre da Sociedade
A ficção e sua irrealidade se confundem com a vida real e sua surrealidade. No aspecto mais comum e brutal, não são muito diferentes uma da outra. Pelo contrário, se complementam absurdamente. Como vida e a morte, a luz e a escuridão, a sanidade e a loucura, a guerra e paz, o bem e o mal. Dentre infinitos comparativos.
A vida é um jogo existencial, no qual nós, meros humanos, somos as peças do tabuleiro, e os deuses, sempre desejosos de mais e mais, são os jogadores que em sua sádica, perversa e imortal divindade, se comprazem com nossos padecimentos, como já não bastasse nossa insignificante, frágil e morredoura jornada de dor e lágrimas. Somos o pó do pó e nada - exceto os que gozam acima de nós -, poderiam amenizar nossa fútil e inútil vulnerabilidade.
Ravi Ghelff
Modelo da foto: Pâmela Stefani Pereira (2016) Todos os direitos reservados
O Segredo do Google Negro E o Milagre da Sociedade Canibal******
REFLEXÃO
Nós, seres humanos, somos um buraco negro e cheio de conflitos. Achamos que somos donos de nossos destinos, que temos o total controle da situação, mas estamos sob os desígnios do tempo, à mercê das forças da natureza. Assemelhamo-nos a uma caravela numa tempestade, lutando para não ser tragada pela fúria do mar revolto.
Somos realmente uma miséria. Arrogantes e obstinados em nossas loucuras, e mesmo assim, cientes de nosso senhorio sobre a terra e todas as formas de vida que nela proliferam.
A raça humana é dádiva da racionalidade e repudia a mera ideia do canibalismo, outrora comum em várias culturas primitivas. Não nos alimentamos de nossa própria espécie. Ou tudo é meramente uma questão de circunstancialidade? O momento e a situação não podem influenciar a ponto de determinar as regras? Em nossa incoerência o abstrato torna-se palpável.
A mente humana é um abismo profundo. Os extremos determinam nossa real capacidade para o bem e para o mal.